Radio Receptor constituído essencialmente por um cristal de galena e por um estilite metálico, geralmente de aço ou prata. Este serve de antena e a galena de captador de corrente: capta ondas electromagnéticas de alta frequência mas de fraca intensidade. Estes rádios são tradicionalmente conhecidos pela captação de rádio sem o recurso á electricidade, bastando ter o aparelho ligado a uma antena e a uma linha de terra  

Construir o Passado
Rádio de Galena

Já foi dito noutras secções, que as origens da rádio foram iniciadas por pessoas autodidactas, em que as ondas radioelectricas, lhes despertou a curiosidade de poderem comunicar com outros amigos, ou até proporcionar às outras pessoas alguns momento de lazer. Foi assim que surgiram os radioamadores e com eles as emissões radiofónicas, pioneiros das emissões de rádio, que construíam os seu próprios aparelhos emissores e receptores. Como nos anos 20 a rádio ainda estava a dar os primeiros passos, logo os poucos aparelhos disponíveis no mercado eram a preços muito elevados, as pessoas mais entusiastas auto-construiam os prácticos receptores de galena. Com pouco dinheiro e alguma imaginação, podiam ouvir a rádio, sem que fosse preciso corrente eléctrica.
Passados mais de 80 anos, ainda há que se dedique a este tipo de receptores, construíndo, inventando, sem que para isso sejam preciso muitos conhecimento.
Vejam o caso de um amigo frequente do site Clássicos da Rádio, que concebeu uma verdadeira relíquia, imaginem que após a construção desta Galena lhe disseram "isto é uma verdadeira peça de arqueologia radiofónica...", ora vejam e digam se não é verdade.
A seguir tenta-se explicar de uma forma sintetizada como o Vitor construiu a sua Galena e esperamos contribuír para que outros sigam os mesmos passos.

«Todas as peças foram construidas recorrendo a materiais de ocasião excluindo a chapa, a verguinha e as porcas de latão que foram compradas propositadamente para este efeito. Assim, o eixo do rotor foi feito a partir de um pauzinho novo de fazer espetadas; o botão do rotor, de uma tampa de garrafa
de cera acrílica para o chão; o fio das bobinas, retirado de uma bobina de ignição de um automóvel; a bobina exterior (estator), de tubo de água de 75mm; a interior (rotor), de tubo de electricidade de cerca de 30mm; a bobina de sintonização da antena, de uma embalagem vazia de Vitamina C efervescente
(Redoxon);o botãozinho do detector de galena é uma tampa de uma válvula de bicicleta; a bolinha de latão que permite o movimento da haste foi adptada a partir de uma ferragem de uma gaveta (puxador); o "vidro" (é plástico!) foi
feito a partir de uma garrafinha de molho picante comprada na mercearia; o acoplamento da pedra de galena, a partir de um acessório de canalização e de uma peça de um telefone velho (a base redonda por baixo da pedra). Outros materiais foram a tinta rápida de pintar calçado para dar a cor preta às
bobinas, um corante para madeira e verniz sintético. Com a minha antena de 23 metros apanho na perfeição a R.R. e a Antena 1.
O cabo do fone foi recuperado de um varão, daqueles que se usam nos cortinados lá de casa; a caixa foi feita a partir de um pedaço de madeira de pinho igual à da base do rádio e o orifício de audição foi tapado com um pedacinho de pano de um guarda-chuva. Lá dentro está um auricular de um telefone velho. O resto, o aspecto visual do conjunto, foi tudo uma questão de acabamentos.
»
Cortesia Vitor Santos

E assim poderão fazer uma galena a partir de material que se encontra em casa, sem se gastar grandes dinheiros. Esperamos que tenha ficado motivado para começar hoje mesmo a construír a sua.


Fotos: ©Vitor Santos

Esquema básico de uma Galena

A bobine indicada no esquema (B) deve ser num tubo de cartão, ou plástico de 0,075 m de comprimento. Nesse tubo enrolam-se 71 espiras de fio de 0,2 - de duas camadas de fio de seda (revestido a verniz a fim de ficar isolado). Na 14ª espira faz-se uma tomada para ligação da antena; na 26ª para ligação à terra e na 44ª para os auscultadores (A) e para o condensador C2. Depois de construída a bobine coloca-se:
C1-condensador variável de 0,0005
C2- Condensador fixo de 0,006
D- detector de cristal.
Fazendo em A a ligação para a antena e em T para a terra, fica com um receptor económico e de grande selectividade.

Visite as Galenas do nosso Museu Virtual
GALENAS